11/01/2006 04:26

A ARTE DE VIVER

"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele.
Ele pode perdê-la.
Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo,
ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo
em direção ao túmulo - mas isso não é vida.
Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual
com a duração de setenta anos.
E porque milhões de pessoas ao redor de você estão
morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa
a imitá-los.
As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas
e nós estamos rodeados pelos mortos.
Então temos que entender primeiro o que eu entendo
por 'vida'.
Ela não deve ser simplesmente envelhecer.
Ela deve ser desenvolver-se.
E isso são duas coisas diferentes.
Envelhecer, qualquer animal é capaz.
Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos.
Somente uns poucos reivindicam esse direito.
Desenvolver-se significa mover-se a cada momento
mais profundamente no princípio da vida; significa
afastar-se da morte - não ir na direção da morte.
Quanto mais profundo você vai para dentro da vida,
mais entende a imortalidade dentro de você.
Você está se afastando da morte: chega a um momento
em que você pode ver que a morte não é nada,
apenas um trocar de roupas ou trocar de casas,
trocar de formas - nada morre, nada pode morrer.
A morte é a maior ilusão que existe.
Como desenvolver-se?
Simplesmente observe uma árvore.
Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo,
tornam-se mais profundas.
Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai,
mais fundo as raízes vão.
Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente
para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.
Para mim o primeiro princípio da vida é meditação.
Tudo o mais vem em segundo lugar.
E a infância é o melhor momento.
À medida que você envelhece, significa que você
está chegando mais perto da morte, e se torna mais
e mais difícil entrar em meditação.
Meditação significa entrar na sua imortalidade,
entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade.
E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela
ainda está sem a carga da educação, sem a carga
de todo o tipo de lixo.
Ela é inocente.
Mas infelizmente a sua inocência está sendo
considerada como ignorância.
Ignorância e inocência tem uma similaridade,
mas elas não são a mesma coisa.
Ignorância também é um estado de não conhecimento,
tanto quanto a inocência é.
Mas também existe uma grande diferença que passou
despercebida por toda a humanidade até agora.
A inocência não é instruída - mas também não é
desejosa de ser instruída.
Ela é totalmente contente, preenchida...
O primeiro passo na arte de viver será criar
uma linha de demarcação entre ignorância e inocência.
Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque
a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro
que os sábios encontram depois de esforços árduos.
Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente,
que eles renasceram...
Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade
da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta
é a inocência.
Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras,
esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias.
Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade
está em suas mãos.
Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi
descoberto por você mesmo, de todo conhecimento
que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio
pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado
pelos outros - pais, professores, universidades.
Simplesmente desfaça-se disso.
Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança.
E esse milagre é possível pela meditação.
Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional
que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo
que é o seu autêntico ser.
Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo
do sol, no vento.
É como se você fosse o primeiro homem que tivesse
descido na Terra - que nada sabe e que tem que
descobrir tudo, que tem que ser um buscador,
que tem que ir em peregrinação.
O segundo princípio é a peregrinação.
A vida deve ser uma busca - não um desejo,
mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso,
para tornar-se aquilo, um presidente de um país,
ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar
'Quem sou eu?'.
É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são,
estão tentando se tornar alguém.
Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento!
Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm
um objetivo de vir a ser.
Vir a ser é a doença da alma.
O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida.
Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento
traz uma alegria.
Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor
começa a crescer em você, uma nova compaixão
que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade
a respeito da beleza, a respeito da bondade.
Você se torna tão sensível que até a menor folha
de grama passa a ter uma importância imensa para você.
Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena
folha de grama é tão importante para a existência
quanto a maior estrela; sem esse folha de grama,
a existência seria menos do que é.
E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível,
ela tem a sua própria individualidade.
E essa sensibilidade criará novas amizades para você
- amizades com árvores, com pássaros, com animais,
com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas.
A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce,
enquanto a amizade cresce...
Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior.
Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica.
Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos
- ela não é confinada de jeito algum.
Toda essa existência se torna a sua família e a não
ser que toda essa existência seja a sua família,
você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum
é uma ilha, nós estamos todos conectados.
Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras.
E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo,
na mesma proporção a nossa vida é diminuída.
A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação
de pertencer ao mundo.
Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós
não somos estrangeiros aqui.
Nós pertencemos intrinsecamente à existência.
Nós somos parte dela, nós somos o coração dela.
Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande
silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio
é a única música que existe.
Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio
de algum modo.
Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos
a respeito da questão de que todas as grandes artes
- música, poesia, dança, pintura, escultura -
são todas nascidas da meditação.
Elas são um esforço para, de algum modo, trazer
o incompreensível para o mundo do conhecimento,
para aqueles que não estão prontos para a peregrinação
- presentes para aqueles que ainda não estão prontos
para partirem na peregrinação.
Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir
em busca da fonte, talvez uma estátua.
Na próxima vez que em você entrar em um templo
de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente
e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma,
em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio.
É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda
ou de Mahavira...
Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura.
Você próprio já observou isso, mas não estava alerta.
Quando você está com raiva, você observou? seu corpo
tomou uma certa postura.
Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas:
na raiva, a mão se fecha.
Na raiva você não pode sorrir - ou você pode?
Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir
uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
Uma certa ciência secreta foi usada por séculos,
de modo que as gerações futuras pudessem entrar
em contato com as experiências das gerações mais velhas
- não através de livros, não através de palavras,
mas através de algo que vai mais profundo
- através do silêncio, através da meditação,
através da paz.
À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce,
seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento
a momento, uma alegria, uma celebração.
Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo,
em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos
dias no ano para a celebração?
Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração
de sua vida e se nada é dado para você em compensação,
sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura.
Toda cultura criou alguma compensação e assim você
não se sentirá completamente perdido na miséria,
na tristeza...
Mas essas compensações são falsas.
Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade
de luz, canções, alegria.
Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando
ela sente que a repressão pode explodir em uma situação
perigosa se não for compensada.
A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir
soltar a repressão.
Mas isso não é a verdadeira celebração,
e não pode ser verdadeira.
A verdadeira celebração deveria vir de sua vida,
na sua vida.
E a celebração não pode estar de acordo com o calendário,
que no primeiro dia de novembro você irá celebrar.
Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia
de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando.
Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.;
ambos não podem ser verdadeiros.
E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está
de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria,
todo mundo em sua ansiedade.
A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival
de luzes por todo o ano.
Somente então você pode se desenvolver,
você pode florir.
Transforme pequenas coisas em celebração...
Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio;
deveria ter a sua assinatura.
Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama,
você fará daqueles momentos de repouso, momentos
de beleza e alegria, momentos de relaxamento
e descanso, momentos de meditação, momentos
para ouvir música ou poesia.
Não há necessidade de ficar triste porque
você está doente.
Você deveria estar feliz porque todo mundo
está no escritório e você está na cama como um rei,
relaxando - alguém está preparando chá para você,
o samovar está cantando uma canção, um amigo
se oferece para vir e tocar flauta para você.
Essas coisas são mais importantes do que qualquer
remédio.
Quando você está doente, chame um médico.
Mas, mais importante, chame aqueles que o amam
porque não existe remédio mais importante
que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza,
música, poesia à sua volta, porque não existe nada
que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento.
Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós
temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos
e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório!
No escritório você era miserável - simplesmente
um dia de folga, mas você também se agarra à miséria,
você não a deixa ir.
Faça todas as coisas criativas, faça o melhor
a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte.
E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento
uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente
a sua morte será o supremo pico no empenho
de toda a sua vida.
Os últimos toques... sua morte não será feia
como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo.
Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida
foi um desperdício.
A morte deveria ser uma aceitação pacífica,
uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre
despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade.
E o que quer que venha com a meditação, tente trazer
para a sua vida.
Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado
cresce mais rápido.
E quando você atingir o momento da morte, você saberá
que não existe morte.
Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade
de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade,
mas não de tristeza."
OSHO, O Livro da Cura

"Olha aí Martinika, nossa conversa
desta madrugada, minha linda!"


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enviada por Vivian






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Mulher de alma madura, apreciadora de todas as coisas que lhe tragam paz interior. Not�vaga por natureza, ama a cia da Lua. Um esp�rito livre de pre-conceitos in�teis, por isso caminha por onde bem quiser.

Devoradora de bons livros. Amante da medita��o, pois adora olhar-se pra dentro, e dominar a paz reinante. Gosta da natureza, gosta de gente, ama vasculhar almas, para com isso se auto-conhecer, acreditando na multiplicidade do ser.

Essencialmente seletiva, sincera e amiga, sempre pronta para ouvir, e ou aconchegar. Fala pouco, e ouve muito. Bem humorada por natureza, porque acredita que a vida foi feita para curt�-la, e n�o deixar que ela nos curta com tristezas. Amante do mar e seus mist�rios, e sobre ele, tamb�m rabisca alguns escritos, brincando com as palavras sem pretens�o de louvores.

Enfim... Uma mulher de bem com a vida, que adora viajar o mundo via mouse sem tirar o pijama...

Gosta muito desta frase:

"Sou um ser espiritual vivendo uma experi�ncia humana. N�o um ser humano vivendo uma experi�ncia espiritual"


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