19/01/2006 03:40
Este texto é longo, mas vale a pena...

As três formas de amor: Eros, Philos, Ágape

Em 1986, enquanto fazia o caminho de Santiago com Petrus,
o meu guia, passamos pela cidade de Logroño enquanto
se realizava um casamento.
Pedimos dois copos de vinho, preparei um prato de canapés,
e Petrus descobriu uma mesa onde pudéssemos sentar junto
com outros convidados.
O casal de noivos cortou um imenso bolo.
– Eles devem se amar – pensei em voz alta.
– É claro que eles se amam – disse um senhor
de terno escuro que estava sentado na mesa.
Você já viu alguém casar por outro motivo?
Mas Petrus não deixou passar a pergunta:
– A que tipo de amor o senhor se refere:
Eros, Philos ou Ágape?

O senhor olhou sem entender nada.
– Existem três palavras gregas para designar o amor
– disse ele.
– Hoje você está vendo a manifestação de Eros,
aquele sentimento entre duas pessoas.
Os noivos sorriam para os flashes e recebiam cumprimentos.
Parece que os dois se amam.
Dentro de pouco tempo estarão lutando sozinhos pela vida,
vão montar uma casa, e vão participar da mesma aventura:
isto engrandece e torna digno o amor.
Ele vai seguir sua carreira, ela deve saber cozinhar
e será uma excelente dona-de-casa, porque foi educada
desde criança para isto.
Vai acompanhá-lo, terão filhos, e se conseguirem construir
alguma coisa juntos, serão realmente felizes para sempre.
“De repente, entretanto, esta história pode acontecer
de maneira inversa.
Ele vai começar a sentir que não é livre o suficiente
para manifestar todo o Eros, todo o amor que tem
por outras mulheres.
Ela pode começar a sentir que sacrificou uma carreira
e uma vida brilhante para acompanhar o marido.
Então, ao invés da criação conjunta, cada um irá
sentir-se roubado em sua maneira de amar.
Eros, o espírito que os une, irá começar a mostrar
apenas seu lado mau.
E aquilo que Deus havia destinado ao homem como
seu mais nobre sentimento, passará a ser fonte
de ódio e destruição.

Olhei em volta.
Eros estava presente em vários casais.
Mas eu podia sentir a presença de Eros Bom e Eros Mau,
exatamente como Petrus havia descrito.
– Repare como é curioso – continuou meu guia.
– Apesar de ser bom ou ser mau, a face de Eros
nunca é a mesma em cada pessoa.
A banda começou a tocar uma valsa.
As pessoas foram para um pequeno espaço de cimento
em frente ao coreto para dançar.
O álcool começava a subir e todos estavam mais suados
e mais alegres.
Notei uma menina vestida de azul, que deve ter esperado
este casamento apenas para que chegasse o momento da valsa,
porque queria dançar com alguém com quem sonhava estar
abraçada desde que entrou na adolescência.

Seus olhos seguiam os movimentos de um rapaz bem vestido,
de terno claro, que estava numa roda de amigos.
Eles conversavam alegremente, não haviam percebido
que a valsa tinha começado, e não notavam, a alguns metros
de distância uma menina de azul que olhava insistentemente
para um deles.

Pensei nas cidades pequenas, nos casamentos sonhados
desde a infância com o rapaz escolhido.
A menina de azul reparou meu olhar e saiu de perto.
E como se todo o movimento estivesse combinado,
foi a vez do rapaz procurá-la com os olhos.
Ao descobrir que ela estava perto de outras garotas,
voltou a conversar animadamente com os amigos.
Chamei a atenção de Petrus para os dois.
Ele acompanhou durante algum tempo o jogo de olhares,
e depois voltou ao seu copo de vinho.
– Agem como se fosse uma vergonha demonstrar que se amam
– foi seu único comentário.

Outra menina olhava fixamente para nós dois:
devia ter metade de nossa idade.
Petrus levantou o copo de vinho, fez um brinde,
a garota riu encabulada, e fez um gesto apontando
para os pais, quase se desculpando por não chegar
mais perto.
– Este é o lado belo do amor – disse.
– O amor que desafia, o amor por dois estranhos
mais velhos que vieram de longe, e amanhã já partirão
por um caminho que ela também gostaria de percorrer.
O amor que prefere a aventura.
Em seguida, continuou, apontando para um casal de velhos:
- Veja aqueles dois: não se deixaram contagiar
pela hipocrisia, como muitos outros.
Pela aparência deve ser um casal de lavradores:
a fome e a necessidade os obrigou a superarem j
untos muitas dificuldades.
Descobriram a força do amor através do trabalho,
que é onde Eros mostra sua face mais bela,
também conhecida como Philos.
– O que é Philos?
– Philos é o Amor sobre a forma de amizade.
É aquilo que eu sinto por você e pelos outros.
Quando a chama de Eros não consegue mais brilhar,
é Philos que mantém os casais juntos.
– E Ágape?
– Ágape é o amor total, o amor que devora quem
o experimenta.
Quem conhece e experimenta Ágape, vê que nada mais
neste mundo tem importância, apenas amar.
Este foi o amor que Jesus sentiu pela humanidade,
e foi tão grande que sacudiu as estrelas
e mudou o curso da história do homem.

“Durante os milênios da história da Civilização,
muitas pessoas foram tomadas por este Amor Que Devora.
Elas tinham tanto para dar – e o mundo exigia tão pouco
– que foram obrigadas a buscar os desertos
e lugares isolados, porque o Amor era tão grande
que as transfigurava. Viraram os santos ermitões
que hoje nós conhecemos.

“Para mim e para você, que experimentamos
outra forma de Ágape, esta vida aqui pode parecer dura,
terrível.
Entretanto, o Amor que Devora faz com que tudo perca
a importância: estes homens vivem apenas para
serem consumidos pelo seu Amor.”
Deu um pausa.
– Ágape é o Amor que Devora – repetiu mais uma vez,
como se esta fosse a frase que melhor definisse
aquela estranha espécie de amor.

– Luther King certa vez disse que, quando Cristo
falou de amar os inimigos, estava referindo-se à Ágape.
Porque, segundo Ele, era “impossível gostar
de nossos inimigos, daqueles que nos fazem mal,
e que tentam amesquinhar mais o nosso sofrido
dia-a dia.”
“Mas Ágape é muito mais que gostar.
É um sentimento que invade tudo, que preenche todas
as frestas, e faz com que qualquer tentativa de agressão
se torne pó. “ Existem duas formas de Ágape.
Uma é o isolamento, a vida dedicada apenas à contemplação.
A outra é exatamente o contrário: o contacto com os outros
seres humanos, e o entusiasmo, o sentido sagrado do trabalho. Entusiasmo significa transe, arrebatamento, ligação com Deus.
O Entusiasmo é Ágape dirigido a alguma idéia, alguma coisa.
“Quando amamos e acreditamos do fundo de nossa alma em algo,
nos sentimos mais fortes que o mundo, e somos tomados
de uma serenidade que vem da certeza de que nada
poderá vencer nossa fé.
Esta força estranha faz com que sempre tomemos
as decisões certas, na hora exata, e ficamos surpresos
com nossa própria capacidade quando atingimos
o nosso objetivo.
“O Entusiasmo se manifesta normalmente com todo o seu
poder nos primeiros anos de nossas vidas.
Ainda temos um laço forte com a divindade,
e nos atiramos com tal vontade aos nossos brinquedos,
que as bonecas passam a ter vida e os soldadinhos
de chumbo conseguem marchar.
Quando Jesus falou que era das crianças o reino dos Céus,
ele se referia a Ágape sob a forma de Entusiasmo.
As crianças chegaram até ele sem ligar para seus milagres,
sua sabedoria, os fariseus e os apóstolos.
Vinham alegres, movidas pelo Entusiasmo.
“Que em momento algum, pelo resto deste ano,
e pelo resto de sua vida, você perca o entusiasmo:
ele é uma força maior, voltada para a vitória final.
Não se pode deixar que ele escape por nossos dedos
só porque nos enfrentamos, no decorrer dos meses,
com pequenas e necessárias derrotas”.

"Amo este texto...Amo porque ele nos ensina
o amor na sua plenitude."
Vivian



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enviada por Vivian






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Mulher de alma madura, apreciadora de todas as coisas que lhe tragam paz interior. Not�vaga por natureza, ama a cia da Lua. Um esp�rito livre de pre-conceitos in�teis, por isso caminha por onde bem quiser.

Devoradora de bons livros. Amante da medita��o, pois adora olhar-se pra dentro, e dominar a paz reinante. Gosta da natureza, gosta de gente, ama vasculhar almas, para com isso se auto-conhecer, acreditando na multiplicidade do ser.

Essencialmente seletiva, sincera e amiga, sempre pronta para ouvir, e ou aconchegar. Fala pouco, e ouve muito. Bem humorada por natureza, porque acredita que a vida foi feita para curt�-la, e n�o deixar que ela nos curta com tristezas. Amante do mar e seus mist�rios, e sobre ele, tamb�m rabisca alguns escritos, brincando com as palavras sem pretens�o de louvores.

Enfim... Uma mulher de bem com a vida, que adora viajar o mundo via mouse sem tirar o pijama...

Gosta muito desta frase:

"Sou um ser espiritual vivendo uma experi�ncia humana. N�o um ser humano vivendo uma experi�ncia espiritual"


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